Obsessão Infinita
Quando no primeiro semestre de 2013 anunciaram que o CCBB Rio receberia algumas bem-sucedidas exposições internacionais, devo admitir que a de Yayoi Kusama foi a que menos me interessou à princípio. A única referência que tinha da japonesa era o trabalho para Louis Vuitton, já sob a revolução de Marc Jacobs, que apesar de graficamente muito interessante e inovador não faz jus ao poderoso contexto, influência e ativismo da artista.

Com a explosão de fotos nas redes sociais dos meus amigos nas instalações componentes da exposição foi que meu interesse começou a surgir. Fiquei, desde pouco depois do início da exibição ansioso pra ir entender o que tanto deixava o pessoal interessado. Acabei adiando, adiando devido a faculdade e só consegui tempo agora já nas férias. Hoje, convidei dois amigos para irem comigo e fazer um passeio nesse, digamos, universo muito particular.
O que mais me chamou atenção nos trabalhos foi a noção de espaço que a artista acabou conferindo as obras e que se tornou uma espécie de "escala" - se é que assim podemos dizer. Em um fluxo de repetição, Yayoi criou um universo infinito no qual a obra rompe seu suporte e ganha um potencial abstrato muito poderoso que irá se desenvolver conforme a artista vai produzindo.
Os pontos - incansavelmente replicados nas primeiras obras - transformam-se em falos, que no discurso de Yayoi acabei por entender como se a repetição levasse a banalização do objeto - que se trouxermos para a contemporaneidade, ainda não aconteceu. Os falos, depois, tomam objetos do cotidiano, mesas, cadeiras, roupas, sapatos. Nesse momento, associei muito a aplicação de um símbolo sexual nos objetos a práticas da publicidade e propagandas como "técnicas" de venda nos dias de hoje.
Há também uma sala com cartazes, cartas e objetos da prórpia Yayoi que, para mim, foi a parte mais interessante da exposição. Apesar das salas terem sempre os textos dos curadores no início, pouco consegui mergulhar na obra a partir daquelas pequenas observações. Principalmente nas cartas, consegui entender o quanto com suas instalações, performances e obras, Yayoi procurava levar o mundo a um lugar surreal, mais abstrato, mas ao mesmo tempo, conseguia lutar por liberdade de expressão, sexual e por um mundo mais pacífico. Acredito que o universo alternativo serve perfeitamente de protesto quanto ao conturbado período histórico de guerras em que a artista viveu.
As instalações em salas são as partes mais legais, nas quais se pode de maneira bem lúdica, vivenciar obras tridimensionais e interagir com elas. O ponto alto para mim foi o trabalho com luzes e espelhos no qual pode-se imergir em uma espécie de céu estrelado e colorido que consegue transmitir inúmeras sensações.
Há também, em uma das salas, um espaço nas quais recebemos uma cartela de adesivos com vários pontos coloridos e de tamanhos diferentes os quais podemos colar em qualquer lugar de um ambiente decorado. É muito legal observar o que as pessoas já colaram e tentar colar de maneiras diferentes. Ah, não posso esquecer do grande número de telas atuais pintadas pela artista e que também merecem um bom tempo de observação.
Para finalizar, devo dizer o quanto a exposição estava cheia e tumultuada. Uma das coisas que mais me incomodou foi o nível elevado de conversas que escutava nas salas. Acredito que arte é uma coisa que merece discussão, mas num nível que não atrapalhe as outras pessoas. E minha outra crítica fica para o método de catalogação que muitas vezes ignorava uma sequência de obras de grandes proporções e colocava as etiquetas apenas no final, rendendo várias viagens para ler os dados.
Gostei muito de ter ido, e até pretendo ir mais uma vez se conseguir oportunidade. Acho que vale muitíssimo a visita, dado a qualidade do que é exposto, o ineditismo com que essas obras circulam nessa magnitude por aqui, e a diversão que podem proporcionar. Bom passeio (;
Foto que resume o passeio com 2 grandes amigos: Rosa e Gabriel






OK essa japa me deixou esquizofrênico por uns dois dias. Hahaha
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